Vista área da reserva Biológica do Cuieiras localizada na BR-174

Vista área da reserva Biológica do Cuieiras localizada na BR-174 (Tabajara Moreno (Acervo Ascom/Inpa))

A utilização do gás carbônico(CO2) para aumentar a produção de fotossíntese, além de outros benefícios para plantas e uso da água será objeto de estudo do projeto Amazon FACE (Free Air CO2 Enrichiment), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

O projeto será implantado na Reserva Biológica do Cuieiras(ZF2), do Inpa, localizada no KM 50 da BR-174, que liga Manaus(AM) a Boa Vista(RR). Além do instituto de pesquisa amazonense, participam do projeto a Universidade Estadual Paulista(Unesp), o Oak Ridge National Laboratory(ORNL) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe). A previsão é de que ele seja implantado em 2015.

O projeto Amazon FACE será composto de quatro áreas de controle – de tamanho aproximado de 700 m² – isoladas por tubulações que irão borrifar gás carbônico para o interior das áreas circulares de floresta natural da Reserva Biológica do Cuieiras (BR174 Manaus – Boa Vista, Km 50) onde será verificadas todas as reações da floresta ao aumento da concentração desse gás.

Um dos responsáveis pelo planejamento do projeto, o pesquisador do Inpa Antonio Manzi, explica que este tipo de experimento já é realizado nas regiões temperadas.

 “Agora queremos avaliar quais serão os efeitos nesta região onde o clima é equatorial. Pretendemos aumentar a concentração de gás carbônico atmosférico em 40%, 50% da concentração atmosférica atual, em quatro áreas de mais ou menos 700 m²,  e assim verificar de que forma a floresta vai reagir a estas condições”, avaliou Manzi.

David Lapola, pesquisador da Unesp, também fala do objetivo dos experimentos na floresta amazônica. “Nos experimentos vamos simular até que ponto a floresta amazônica consegue absorver o excesso de gás carbônico emitido pelas atividades humanas, e assim verificar os efeitos que podem ser benéficos, como maior produção de biomassa e menor perda de água das folhas. Agora se o efeito for fraco, significará que a floresta estará mais suscetível ao aumento de temperatura e a maior variabilidade interanual dos regimes de chuvas previstos pelos modelos climáticos.

De acordo com os pesquisadores envolvidos no projeto, essa quantidade excessiva de gás carbônico na atmosfera pode ser benéfica para a floresta no processo de fotossíntese. “Em geral quanto mais gás carbônico na atmosfera menos os estômatos – estrutura da epiderme de parte aéreas das plantas responsável pelas trocas gasosas entre a planta e ar atmosférico – precisam abrir para capturá-lo, e, portanto, perde menos água por transpiração, o que significa uma melhora na eficiência do uso da água, e isso pode ser um fator muito importante nos cenários futuros de mudanças climáticas”, explica Manzi.

(*) Com informações da Asscom/Inpa